terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tomando decisões.

Tem certas coisas que eu queria fazer diferente.
Aí eu me digo "você vai fazer diferente sim, porque não pode continuar agindo dessa forma".
E eu me empenho.
Digo que vou fazer e acontecer.
Que vou agir de maneira diferente.
Que vou esquecer os meus erros do passado e fazer tudo diferente no futuro.

Ligar para quem tenho que ligar, reencontrar amigos, fazer as minhas tarefas no prazo. Dormir e acordar na hora certa, tomar banho em 5 minutos, como os ecologistas dizem que tem que ser.

Penso tudo isso em 5 minutos.
15 minutos depois eu já me esqueci de todas as novas decisões porque fiquei com preguiça de sair da cama.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia dos Mortos.

Tem gente que não esquece. Que guarda tudo. Que não supera.

Eu sou de um tipo singular.

Se esqueço?
Não, eu não esqueço.

Se guardo tudo?
Até guardo. Separado por caixas, bem armazenado. De certa forma, sempre a mão. De certa forma, distante do que me é essencial no momento.

Se supero?
Sim, eu supero. Me supero todos os dias. Eu aprendo com o que se deve aprender. Esqueço o que não me serve. Muita coisa não me serve. Ficam em algumas caixas, num canto. Por um tempo. Depois, se vão.

Mas eu perdôo. Perdôo de coração. Se reencontro um fantasma, sou educada. Aprendi a ser educada. Pergunto como está a família, como vão as coisas. Essas coisas que pessoas civilizadas fazem.

O mundo virtual é mais interessante. Porque certos fantasmas sempre estão orbitando por aí. E alguns deles são bem obsessivos. Porque não entendem que superar é algo muito importante na nossa evolução. Não entendem que certos comportamentos podem fazer que com fiquem presos num círculo vicioso, que só faz mal para eles. Porque posso ser espetáculo para eles, objeto da obsessão. Mas sou platéia do desespero deles.

Queria que certos seres entendessem que não me fazem mais feliz ou mais triste por se fazerem presentes, por quererem mostrar que não me deixam. Porque eu vivo a minha vida, nunca deixei de fazê-lo. Mas isso não lhes importa. Me atingir é o que lhes importa.

Pena.
Tanta energia para nada...


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

E daí que...

... queremos nos deitar, nos cobrir com o edredom e esquecer de todos os problemas?

Porque não pode, não dá. É assim mesmo. A vida que segue. Temos que levantar antes do despertador tocar. Pagar contas. Rir para estranhos. Ser simpático com quem odiamos (ou nos odeia. Porque eu, particularmente, não tenho mais ódio no coração - perdi a paciência com essas coisas).

Pois é.
Não tenho nem mais direito a vivenciar cada etapa da minha depressão.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

[Dias nos quais não sabemos de mais nada]

Então que chega aquele dia, aquele dia que tanto esperamos, porque seria o dia onde tudo estaria perfeito, nos trilhos e controlado.

E então descobrimos que nada está nos eixos verdadeiramente. Que tudo é uma grande ilusão e que não há a menor previsão de quando as coisas vão verdadeiramente se acertar.

E você finge que está tudo bem. Finge que é adulta, que sabe que o mundo é assim mesmo, que as coisas por vezes não seguem os nossos planos - porque elas têm planos próprios.

E finge, finge muito bem. Porque ninguém do lado de fora diz que vc está se desguelando por dentro, querendo matar um, querendo tacar fogo no circo e mandar o mundo ir se fuder. Porque só lá dentro é que vc sabe que não, que vc não cresceu. Que continua sendo a mesma adolescente insensata, que não sabe muito bem o que quer da vida, que não tem mais forças pra explicar que o caminho não foi a escolha e sim o que se apresentou. São muito detalhes, muitos pormenores. E nem todos são dignos deles.

Então vc fica repetindo e repetindo que está tudo bem, que tudo vai se acertar. E as pessoas te consideram tão madura. Tão organizada. Tão dona de si. Tão cheia de atitude.

E tudo o que vc queria verdadeiramente era se afundar embaixo do edredom e dormir o sono dos justos, depois de se esbaldar com um pote de sorvete Häagen-Dazs.


Delírio Niilista: falso sentimento de que o mundo, as outras pessoas ou a própria pessoa não existem